Participe do XVI Encontro das UEBA
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No momento em que vivemos o agravamento da pandemia no nosso país, com mais de 100 mil mortos em decorrência da falta de unidade de uma política de combate ao Covid-19, assistimos, estarrecidos, ao Governador da Bahia, o Sr. Rui Costa, anunciar que pretende, em breve, retomar as aulas presenciais nas escolas da rede pública estadual. Para piorar ainda mais a situação, o próprio governador fez uma torpe comparação com a abertura do comércio e dos shopping centers na cidade de Salvador.
Primeiro, gostaríamos de informar que escola não é comércio e assim alertamos à população baiana para o risco que tal medida, caso seja levada à frente como pretende o Governo da Bahia, trará sérias implicações, como por exemplo, o aumento dos casos de contaminados no estado e, por conseguinte, do número de óbitos.
Entretanto, soa de maneira estranha o estridente silêncio vindo do partido que controla o Governo do Estado, visto que, até o momento, ainda não emitiu uma nota sequer em relação ao assunto, corroborando assim com uma atitude que evidencia a necropolítica adotada pelo Governo da Bahia nos últimos anos, na qual a segregação de populações economicamente carentes e de fragilidade social vem sendo lentamente implementada. Podemos observar isso através dos índices sociais do estado da Bahia, onde a saúde já foi terceirizada e a educação encontra-se sucateada.
Possuímos os piores índices educacionais do país e a Polícia Militar atua como um algoz da população negra da periferia das grandes cidades, assassinando e intimidando jovens negras e negros.
Assim, mais do que infeliz, a declaração do governador é um descaso, um desprezo com a população que o elegeu. Agora, ele atende e defende o poder do capital. A retomada das aulas colocará em risco toda uma população carente de ações governamentais efetivas que possam dar a devida segurança para o enfrentamento da pandemia. E, mais do que isso, conduzirá os docentes da educação básica, com as suas diversas comorbidades, a uma exposição de risco desnecessária. Esta é uma situação inusitada para uma postura inconsequente de um governo que se diz democrático e que está tomando todas as medidas na luta contra a Covid-19.
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