Por qual projeto de universidade lutamos?
30/09/2026
A Universidade Estadual de Feira de
Santana (UEFS) é patrimônio público e instrumento fundamental de transformação
social. Sua existência se justifica pelo compromisso com a produção e a
socialização do conhecimento, a formação humana e profissional, a pesquisa, a
extensão e a contribuição para o desenvolvimento da sociedade, especialmente da
Bahia e da região do semiárido.
É essa concepção de Universidade
Pública que a direção da ADUFS defende.
Defendemos uma Universidade que não
esteja subordinada aos interesses imediatos de governos, empresas ou grupos
econômicos. Uma instituição cuja autonomia não seja uma garantia formal, mas
uma condição concreta para definir suas prioridades acadêmicas, científicas,
administrativas e sociais.
A autonomia universitária exige
financiamento público adequado e permanente. Não existe autonomia efetiva
quando a Universidade é submetida à insuficiência orçamentária e pressionada a
buscar no mercado os recursos necessários para cumprir suas funções. A captação
de recursos externos pode contribuir para projetos específicos, mas não pode
substituir a responsabilidade do Estado de financiar integralmente a
Universidade Pública.
Não queremos uma UEFS ensinada a
sobreviver ao subfinanciamento. Queremos uma UEFS plenamente financiada pelo
poder público, com condições de desenvolver suas atividades e planejar seu
futuro com autonomia.
Uma Universidade comprometida com a sociedade
A Universidade Pública deve estar
profundamente relacionada com a sociedade. Deve dialogar com os trabalhadores,
os movimentos sociais, as comunidades, os órgãos públicos, as instituições
científicas, os setores produtivos e os diferentes grupos que compõem a vida
social. Entretanto, relacionar-se com a sociedade não significa subordinar-se
ao mercado.
Defendemos uma Universidade que
produza conhecimento para enfrentar as desigualdades sociais, fortalecer as
políticas públicas, promover o desenvolvimento regional, proteger o meio
ambiente e contribuir para a melhoria das condições de vida da população.
A ciência e a tecnologia são
fundamentais para esse projeto. A inovação deve estar a serviço do interesse
público, da soberania científica e tecnológica e da solução de problemas
concretos da sociedade. A tecnologia é um instrumento da Universidade; não pode
se transformar na finalidade que orienta toda a sua atuação.
A extensão universitária é uma
dimensão constitutiva da Universidade Pública, articulada ao ensino e à
pesquisa. Por isso, não consideramos necessária a criação de uma modalidade
denominada “Extensão Tecnológica”. A produção de conhecimento científico e
tecnológico, a inovação e a aplicação do conhecimento a problemas sociais e
produtivos já podem, e devem, integrar a extensão universitária em sua concepção
ampla, crítica e socialmente referenciada. A ADUFS defende uma extensão
dialógica, democrática e comprometida com a transformação social. Não aceitamos
que uma modalidade específica de extensão tecnológica institucionalize a
subordinação da Universidade às demandas do mercado ou transforme a captação de
recursos em finalidade acadêmica.
Financiamento público e valorização dos
trabalhadores
Não há Universidade Pública de
qualidade sem trabalhadores valorizados e condições adequadas de trabalho.
A defesa da UEFS passa pela garantia
de carreira, salários dignos, concursos públicos, condições de ensino e
pesquisa, infraestrutura, assistência estudantil e políticas de permanência.
Passa também pelo enfrentamento da precarização e pela rejeição à utilização
permanente de bolsas ou vínculos temporários como substitutos de trabalhadores
que deveriam integrar o quadro público.
A expansão da Universidade deve ser
acompanhada da expansão das condições materiais e humanas necessárias para que
suas atividades sejam desenvolvidas com qualidade, autonomia e responsabilidade
social.
Defendemos uma Universidade que
valorize quem nela trabalha e assegure aos estudantes as condições necessárias
para ingressar, permanecer e concluir sua formação.
Uma Universidade Pública não pode ser orientada
pela lógica mercantil
A direção da ADUFS não defende uma
Universidade isolada da sociedade, avessa à inovação ou contrária à cooperação
institucional. Defendemos uma Universidade capaz de dialogar, pesquisar, criar,
inovar e contribuir para o desenvolvimento social e econômico.
O que rejeitamos é a transformação
da lógica mercantil em princípio organizador da vida universitária.
A função social da UEFS não pode ser
definida pela capacidade de gerar receitas, atender demandas privadas ou
ampliar sua dependência de financiamentos externos. Seus objetivos devem ser
estabelecidos democraticamente, considerando as necessidades da população, o
desenvolvimento científico e a responsabilidade pública da instituição.
A Universidade Pública não é uma
empresa. O conhecimento não é mercadoria. A formação humana não pode ser
reduzida à preparação de força de trabalho para o mercado. A ciência não pode
ser submetida exclusivamente àquilo que oferece retorno financeiro imediato.
Sobre a Minuta do PROBITEC, PIBAT e PIBET
A direção da ADUFS se posiciona
contrariamente à aprovação da minuta que institui e regulamenta o PROBITEC, o
PIBAT e o PIBET na forma atualmente apresentada. Essa posição decorre da
prioridade atribuída aos recursos externos, da institucionalização da captação
de financiamento e da criação de estruturas de inovação e extensão tecnológica
que podem subordinar prioridades acadêmicas a interesses externos.
Não somos contrários à pesquisa
científica e tecnológica, à inovação, à cooperação institucional ou à concessão
de bolsas. Questionamos um modelo que trata os recursos externos como fonte
prioritária e os recursos próprios da Universidade como excepcionais. A UEFS
não pode organizar sua política acadêmica a partir da dependência de financiadores
externos.
Defendemos a reformulação desses
programas, com financiamento público como base, controle democrático dos
colegiados, transparência dos acordos, proteção da liberdade acadêmica,
valorização dos trabalhadores e compromisso com o interesse público.
O projeto que defendemos
A ADUFS defende uma Universidade:
●
Pública, financiada fundamentalmente pelo Estado
e comprometida com o interesse coletivo;
●
Autônoma, com condições materiais para definir
suas prioridades;
●
Democrática, governada com participação e
controle da comunidade universitária;
●
Socialmente referenciada, comprometida com a
transformação da sociedade;
●
Científica e tecnologicamente desenvolvida, sem
subordinação automática ao mercado;
●
Inclusiva, com políticas de acesso, permanência
e assistência estudantil;
●
Valorizadora dos trabalhadores, com carreira,
concursos públicos e condições dignas de trabalho;
●
Articulada com a sociedade, por meio do ensino,
da pesquisa e da extensão;
●
Comprometida com a Bahia e o semiárido,
contribuindo para o desenvolvimento regional e a redução das desigualdades.
Esse projeto exige uma política
permanente de financiamento público das universidades estaduais baianas. Exige
a defesa da autonomia universitária, o fortalecimento dos colegiados, a
valorização dos trabalhadores e a construção de relações institucionais que não
comprometam a missão pública da UEFS.
A ADUFS defende uma Universidade
comprometida com as necessidades da sociedade e com o interesse público, cuja
autonomia não pode ser subordinada aos interesses particulares de empresas,
grupos econômicos ou quaisquer agentes externos. Uma Universidade que produza
conhecimento para libertar, formar, transformar e desenvolver. Uma Universidade
Pública, autônoma, democrática e socialmente referenciada.
É por esse projeto de Universidade
que lutamos.