05/11: RODA DE CONVERSA NO NOVEMBRO NEGRO DA UEFS
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A professora Marta Alencar, do Departamento de Educação (DEDU/UEFS) também está entre as docentes negras de luta que relataram suas experiências neste Julho das Pretas. Para ela, a falta de reconhecimento sobre a posição ocupada é reveladora de um cenário que ainda segue marcado pelos impactos do racismo e do sexismo na docência. Isso se apresenta por meio da idealização de uma estética definida como padrão que rejeita os corpos considerados diferentes.
“O não reconhecimento da minha autoridade intelectual e pedagógica é constante, e muitas vezes se manifesta de forma sutil, mas violenta. Meu corpo, minha estética, minha forma de estar e falar são, com frequência, lidos como incompatíveis com a imagem tradicional do ‘intelectual’. Há um estranhamento quando ocupo certos espaços, quando falo com firmeza ou quando assumo posições de liderança acadêmica. Isso revela como o imaginário social ainda associa saber e legitimidade a corpos brancos, masculinos e eurocentrados”.
As tentativas constantes de deslegitimação são desafios que a docente ainda enfrenta: “Enquanto mulher negra, vivi situações em que minha presença foi questionada antes mesmo que minhas ideias fossem ouvidas. O racismo e o sexismo operam juntos para deslegitimar nossas existências, nos empurrando para os bastidores, mesmo quando somos protagonistas de processos formativos. A docência, para mim, é também um ato de resistência: ensino, pesquiso e me coloco no mundo afirmando que corpos negros pensam, criam, transformam e educam — mesmo quando o sistema tenta negar isso”.
Sem dúvidas, as lutas de movimentos organizados resultaram em avanços significativos no que diz respeito à ampliação da representatividade, sobretudo com a implementação das políticas públicas de acesso e permanência: “Como mulher negra, feminista, sapatão e ativista, percebo avanços importantes na representatividade e na abordagem de temas inclusivos, especialmente com o crescente protagonismo de pessoas negras e LGBTQIAPN+ em espaços antes negados a nós. Há uma ampliação das narrativas, saberes e experiências que colocam em evidência outras formas de existir, ensinar e produzir conhecimento, desafiando os padrões historicamente impostos pela branquitude, pelo patriarcado e pela cisheteronormatividade”.
A docente chama atenção para a necessidade de mais ações para que o espaço da educação pública se efetive como um local de acolhimento de vozes e corpos dissidentes, para que a inclusão não se dê apenas de forma parcial, sem considerar os elementos constitutivos de uma transformação social efetiva: “Por outro lado, ainda enfrentamos resistências e limites quando se trata da efetivação dessas pautas nos espaços institucionais. A inclusão, muitas vezes, é tratada de forma superficial, sem compromisso com a escuta real das vozes dissidentes nem com a transformação estrutural das práticas pedagógicas. Para mim, a luta por uma educação verdadeiramente inclusiva passa por uma ação intencional, interseccional e política, que reconheça a diversidade como força e afirme que nossos corpos, histórias e saberes têm lugar, importância e valor”.
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