05/11: RODA DE CONVERSA NO NOVEMBRO NEGRO DA UEFS
No próximo dia 05 de novembro, a Adufs e o Coletivo de Docentes Negras e Negros da UEFS, realizará uma Roda de Conversa para compor a programação do Novembro Negro da Universidade. A atividade ...
A ampliação das políticas afirmativas nas
universidades foi responsável por um aumento significativo de estudantes negras
(os) com melhores condições de acesso e permanência. Apesar disso, ainda há
muito para avançar para que a universidade seja um espaço de fato acolhedor
para a juventude negra. De modo geral, os cursos de exatas são os que menos
agregam mulheres, principalmente, as negras. Apesar disso, na Universidade
Estadual de Feira de Santana (UEFS), a percepção da professora do Departamento
de Exatas (DEXA), Gracinete Bastos, é de que os cursos de exatas, sobretudo, as
engenharias têm recebido um número considerável de mulheres negras: “Pela minha
experiência, o curso de matemática, por exemplo, sempre teve mais meninas eu
acredito também que é por ser uma licenciatura, mas, sem dúvida, a política de
cotas contribui para o acesso maior de mulheres negras”, afirma a professora.
De acordo com o estudo do Dieese “Perfil
Ocupacional das Profissionais de Engenharia no Brasil”, a participação feminina
no setor aumentou 4% de 2003 a 2013. Para a professora Gracinete, esse cenário
tem que ser relativizado, uma vez, que mesmo em determinadas instituições é
perceptível uma maior participação de mulheres negras, o que não significa que
essa presença resulte na menor incidência de preconceito e discriminação, mesmo
por parte das (dos) docentes: “Normalmente os professores, na sua maioria, são
homens e brancos. Muitos deles acham que não existe racismo e que o racismo a
gente vence de modo individual ou que o racismo é desculpa para não estudar.
Quando é mulher acham que somos menos inteligentes”, relata a professora.
Para Gracinete Bastos a universidade precisa
enfrentar as práticas racistas que já foram normalizadas com ações mais
enfáticas para sensibilizar e conscientizar também as (os) docentes para as
questões raciais. Este enfrentamento passa também por criar ambientes atrativos
que levem em consideração as demandas de estudantes negras (os), como a oferta
de laboratórios para uso de computadores num espaço adequado de estudos;
melhorar as condições da biblioteca e o acesso ao Restaurante Universitário e
considerar o lazer também como parte fundamental para garantir o bem-estar da
população negra. Inclusive, para que as experiências de racismo vividas pela
professora, como estudante e como profissional, na universidade sejam extintas.
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