ANDES-SN disponibiliza Caderno de Textos do 69º Conad
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Professor Jucelho Dantas com a bandeira da população cigana
No documento “Brasil Cigano – Guia de Políticas
Públicas para Povos Ciganos” (2013), a Secretaria de Igualdade Racial (Seppir)
reconhece que os dados são incipientes e uma das grandes dificuldades
encontrada para registro do IBGE é o fato de que nem todos os ciganos e ciganas
são nômades; logo, a dificuldade de manutenção dos registros individuais dos
subgrupos que se dispersam.
Professor da UEFS e cigano do grupo Calon,
Jucelho Dantas, falou sobre a importância da valorização da cultura cigana e
desconstrução de estereótipos. “Quando não se conhece determinada cultura
tende-se a criar estereótipos sobre ela e assim é com a família cigana. Nesse
sentido, para a desconstrução deste quadro, o papel do estado é fundamental”,
afirma. O professor Jucelho destaca os episódios recorrentes de violência
protagonizados pela polícia que tem assassinado ciganos e perseguido famílias
inteiras, levando terror para as comunidades.
Em Jeremoabo, há cerca de cinco anos, após um
desentendimento de um cigano com um policial, três ciganos foram assassinados;
um deles após ser retirado de uma ambulância para prestação de socorro médico.
Mais recentemente, em Vitória da Conquista, após desentendimentos entre
policiais e ciganos, oito ciganos irmãos, dois menores de idade, foram mortos
em quatro ações distintas da polícia numa evidente perseguição da polícia
militar ao grupo. A Adufs emitiu nota de repúdio contra a truculência da
polícia que resultou na violência desmedida contra uma família inteira. “Diante
desta situação não houve nenhuma manifestação do governo do estado e o
secretário de segurança frisou que a ação dos PMs estava dentro das normas. A
secretaria de promoção da igualdade racial também se calou. Então, a quem
recorrer? As autoridades que poderiam intervir nesse processo não intervieram e
policiais foram condecorados, homenageados, pela belíssima ação de ter executado
oito irmãos”, lamenta.
Na luta pela desconstrução dos estereótipos,
principalmente os relativos à violência, o professor Jucelho destaca que “é
necessário que se trate os ciganos de forma heterogênea, que não se julgue
todos por um. Muitas vezes, o indivíduo que comete um delito, não foi a etnia,
um povo; foi um indivíduo que passa a ser tratado como “os ciganos que mataram,
os ciganos que roubaram”. Então, as consequências disso para a população é
muito ruim porque todos acabam levando a pecha de criminosos e,
consequentemente, todas as sanhas punitivas da polícia, quando acontece um caso
envolvendo um cigano, sobrecaem em qualquer cigano. Se você se identifica como
cigano, você é morto, é torturado”, afirma Jucelho Dantas.
Dentro dos espaços educacionais ainda há muito a
caminhar para se dar maior visibilidade à
diversidade cultural da população cigana. Segundo o professor Jucelho, dentro
da UEFS é possível se perceber uma mudança no aumento da produção de pesquisas
nessa área que, naturalmente, ocorre com a sua inserção no quadro trazendo seus
interesses de pesquisa. O professor destaca ainda o trabalho realizado pela
professora Sandra Nívea que colabora com a abordagem dos povos tradicionais, o
que contribui significativamente no combate contra a invisibilização e aumento
da discriminação contra os povos ciganos, passo importante na luta pela
garantia dos direitos desta população.
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