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Desenvolvimento de vacina no Brasil reforça a importância das instituições públicas

11-01-2021 às 19h41

Fonasefe

Na última sexta (08), dois pedidos de aprovação emergencial de vacinas contra o novo coronavírus foram feitos à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O primeiro foi do Instituto Butantan, que solicitou a aprovação do uso da CoronaVac; a segunda solicitação partiu da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) que fez o pedido de uso emergencial de 2 milhões de doses da vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford em parceria com o laboratório Astrazeneca.

Embora o Ministério da Saúde já tenha anunciado a assinatura do contrato para aquisição de até 100 milhões de doses do Coronavac em 2021, com a informação de que a vacinação ocorrerá de forma simultânea em todo o país, ainda não foi estabelecida uma data para início da aplicação das vacinas. A morosidade no processo agrava ainda mais a situação nacional que já superou o número de 200 mil mortes e vê a segunda onda de contaminação ganhar ainda mais força após os festejos de final de ano que não respeitaram as medidas sanitárias de segurança em todo o país.

Diante da onda negacionista que varreu o país nos últimos anos, o desenvolvimento de uma vacina em parceria com uma instituição pública brasileira, por via de esforços dos cientistas nacionais, representa um importante capítulo na defesa do Sistema Único de Saúde (SUS) e dos investimentos para preservação das instituições públicas. Tanto o Instituto Butantan, que é vinculado à Universidade de São Paulo (USP), quanto a Fiocruz, são instituições que desenvolvem pesquisas de excelência mesmo com as constantes tentativas de destruição por meio de cortes orçamentários que comprometem o funcionamento de ambas.

Próxima etapa
Após a solicitação de uso emergencial das vacinas, a Anvisa deve responder aos pedidos em até dez dias, mas já informou que o pedido feito pela Fiocruz traz as informações preliminares necessárias para a liberação, enquanto mais dados foram solicitados ao Instituto Butantan que ainda não apresentou com clareza números sobre a eficácia da vacina em grupos de riscos ou idosos. Para que o processo de vacinação seja iniciado é preciso que a Anvisa aprove a utilização das vacinas. Enquanto isso, vemos o governo nacional proferir declarações públicas em que reconhece sua total inoperância diante da grave crise nacional, insistindo na desqualificação da vacina como uma única alternativa viável para retomada completa das atividades e diminuição drástica no número de vítimas pelo novo coronavírus. Sem apresentar um plano de imunização eficiente e inclusivo com datas definidas e incentivo à vacinação em massa, seguimos em meio ao caos do aumento substancial do número de mortes e colapso no sistema de saúde de diversos estados.

Por que a vacinação em massa é indispensável?
De forma surpreendente, o negacionismo em torno dos efeitos positivos da vacinação nos levou a interrogar a importância da vacina em um país referência mundial em imunização. A Organização Mundial de Saúde estima que para acabar com a pandemia é necessário que entre 70% e 80% da população seja vacinada, somente assim será possível criar uma imunidade coletiva ou de rebanho. A não-obrigatoriedade da vacina – defendida pelo presidente, mas ainda em discussão pelo Supremo Tribunal Federal – pode ampliar uma rejeição à vacina com base em desinformação e comprometer a imunização coletiva.

Como já sabemos, os dados referentes às vacinas em fase de aprovação e que já estão sendo aplicadas apontam para um número inferior a 100% de imunização. A CoronaVac apresentou em dados preliminares 78% de eficácia em casos leves; já a farmacêutica alemã Pfizer apresentou 95% de eficácia. Diante de um número inferior a 100%, como é recorrente na maioria dos imunizantes, quanto maior o número de pessoas vacinadas maior o controle da propagação da doença.

Não tomar vacina compromete a vida de terceiros?
Sim. Para todos os imunizantes, haverá parte da população que não poderá tomar em decorrência de alergias graves aos insumos utilizados, doenças preexistentes e condições como gravidez – para grávidas e lactantes as vacinas contra a Covid-19 não são recomendadas por ainda não existir estudos c sobre os impactos na gestação e nos recém nascidos. A vacinação em massa é imprescindível para proteger tanto os que não poderão receber a vacina quanto para aqueles que não terão resposta positiva diante do imunizante. Além disso, a vacinação será importante também para aqueles que já tiveram a Covid-19, já que há registros de reinfecção pela doença.

Posso confiar na qualidade da vacina?
Antes de serem aprovadas, todas as vacinas passam por testes rigorosos para constatar sua qualidade e impactos nas populações que serão imunizadas. A rapidez com a qual vacinas já foram aprovadas para uso emergencial não se deve a falta de controle e sim ao maior investimento dedicado ao desenvolvimento dos imunizantes, que foram pré-comprados antes mesmo de suas produções por diversos governos em todo mundo. Outro facilitador foi a quantidade de pessoas que se apresentaram voluntariamente para fazer parte dos testes, diferente de outros momentos em que o recrutamento leva meses e até anos.

Apesar da rapidez nas etapas, os parâmetros para a produção foram os mesmos de outros imunizantes já aplicados com sucesso. Cientistas trabalharam em fases específicas de testes para controlar impactos e efeitos adversos relacionados à vacina para que, assim, fosse possível identificar quais efeitos ela produz nos corpos humanos; somente após as etapas concluídas se chegou à vacina. A conclusão não mudou. Historicamente, os efeitos da vacinação superam amplamente os impactos que podem ser causados em caso de um efeito adverso.
 


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