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PROTESTO

Estudantes de Odontologia reivindicam melhorias para o curso

07-05-2018 às 14h33

O sucateamento da educação pública superior tem tornado cada vez mais frequentes protestos de professores, estudantes e técnico-administrativos das universidades estaduais da Bahia por melhores condições de trabalho e estudo. A mais recente, na Uefs, foi a paralisação dos alunos de Odontologia. Além da suspensão das atividades, a categoria fez um ato público no pórtico da universidade, que permanentemente teve o acesso bloqueado. A mobilização ocorreu na última quinta-feira (3).

Os estudantes reivindicam contratação de técnicos para trabalhar na manutenção dos aparelhos dos laboratórios e das três clínicas do curso; realização de concurso público para professores; política de permanência estudantil, que além da construção ou ampliação da residência universitária inclui, ainda, a oferta dos materiais instrumentais (pinça clínica, sonda, óculos, etc); compra de materiais de consumo, a exemplo de álcool, luva, material de moldagem, dentre outros, mais o conserto dos equipamentos quebrados.

“As três autoclaves existentes no curso estão quebradas. Às vezes, os alunos têm de tirar dinheiro do próprio bolso para comprar material. A estrutura que temos hoje prejudica não só a formação dos estudantes, mas o serviço prestado à população externa. O atendimento ao paciente acaba sendo inadequado, de forma que o expõe a riscos de saúde”, reclamou o estudante Eder Freire Maniçoba Ferreira, membro do Centro Acadêmico do curso, acrescentando que “essa situação frustra os alunos e é desestimulante”.

Em abril, um outro protesto foi organizado por estudantes de Psicologia, que também exigiram mais estrutura para o funcionamento do curso.

Administração da Uefs
Segundo a administração da Uefs, uma parte das reivindicações já está sendo atendida ou já foi resolvida. A licitação, que tem como objeto a contratação de empresa para prestação de serviços especializados de confecção de próteses dentárias, foi liberada pelo governo no dia 28 de abril deste.

Sobre as autoclaves, as duas instaladas na Uefs já passaram por manutenção e a terceira, que funciona na Clínica Odontológica do bairro Mangabeira, também será consertada. Quanto aos equipamentos que estão quebrados, a administração da universidade informou que o técnico responsável pela fiscalização dos aparelhos está ausente por motivos de saúde. Por conta disso, analisará a possibilidade de repará-los através da contratação emergencial de uma empresa, processo de licitação simplificada a fim de garantir a continuidade do serviço até que o processo de licitação convencional, mais burocrático e que demanda mais tempo, seja autorizado pelo governo.

Governo culpado
A situação de penúria pela qual passam a Uefs e as outras três universidades estaduais da Bahia é de responsabilidade do governo estadual, que há anos vem contingenciando o recurso previsto na Lei Orçamentária Anual (LOA) para investimento e manutenção das instituições.

Conforme a LOA aprovada para 2018, a Uefs deveria receber, de janeiro até maio deste, R$ 2,750milhões para investimento, mas foi destinado, apenas, R$ 500 mil. Já para a rubrica de manutenção, o valor a ser repassado pelo governo Rui Costa à universidade nos últimos cinco meses deveria ser R$ 27.593.750,00, porém, a instituição ficou com R$ 22.355.000,00. Na prática, a redução desses valores representa menos recursos financeiros para as obras, a aquisição de materiais de consumo e de equipamentos, o pagamento das viagens de campo e dos trabalhadores terceirizados, dentre outras despesas.

Segundo a vice-reitora, Norma Lúcia de Almeida, o reitor, Evandro do Nascimento, conversou, na última quinta (3), com o governador Rui Costa. Na pauta, as dificuldades presentes nos cursos da área de saúde. O gestor público, ainda conforme Norma Lúcia, disponibilizou a estrutura da Secretaria da Saúde (Sesab) para tentar minimizar os problemas relacionados aos equipamentos. A forma como a parceria funcionará ainda será discutida, mas, provavelmente, será via doação de equipamentos.

Novamente em reunião, agora com o secretário da Fazenda (Sefaz), Manoel Vitório, o reitor foi informado que devem ser destinados mais recursos para a rubrica de investimento da Uefs.

Diante do recrudescimento dos ataques do governo às universidades estaduais baianas, é urgente o fortalecimento da luta em união com as três categorias e a ocupação das ruas. Somente mobilizados e fortalecidos, docentes, estudantes e técnico-administrativos conseguirão arrancar respostas do governo ao atual quadro de sucateamento das instituições.  


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