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DESCASO DO GOVERNO

Falta de estrutura precariza o funcionamento dos cursos na Uefs

10-04-2018 às 14h57

Ascom/Adufs
Alunos reivindicam melhorias
Alunos reivindicam melhorias

Falta de sala para a execução das aulas, ausência de professor para lecionar as disciplinas, laboratórios com estrutura precária, obras inacabadas, equipamentos quebrados e ambientes sem a ventilação adequada. Essas são algumas das queixas relatadas pelos professores e estudantes de antigos e novos cursos da Uefs ao longo de, pelo menos, quatro anos. Em função do agravamento desses problemas, que também se estendem às demais Universidades Estaduais da Bahia (Ueba), manter o funcionamento das atividades acadêmicas nas instituições tem sido uma tarefa cada vez mais difícil.

O projeto do curso de Psicologia da Uefs, por exemplo, prevê a existência de 25 docentes efetivos no quadro, além dos professores que devem estar disponíveis para outros colegiados. No entanto, existem, apenas, 21, sendo dez efetivos e 11 substitutos. Desses 21, um está afastado para doutorado, outro será transferido para a Uneb e mais três, que são substitutos, terão os contratos encerrados antes do final deste semestre. Há turmas que possuem somente 50% do quadro docente preenchido. Por conta da escassez de profissionais, a Área não tem ofertado disciplinas optativas, necessárias para cumprir a carga horária do curso.

Outro grave problema dos diversos existentes no curso é a ausência do Serviço de Psicologia, espaço que deve ser disponibilizado na universidade para estágio dos alunos. Como não há uma estrutura física adequada para o funcionamento do Serviço, os estágios acontecem em locais precarizados. “O curso está em processo de reconhecimento. Tenho receio de que as condições atuais interfiram na aprovação”, disse, preocupada, a coordenadora Ivone Maia, relatando, ainda, que os docentes são penalizados pelo excesso de carga horária de trabalho.

O aluno do quinto semestre de Psicologia, Rodrigo Rehrm, diz que é urgente a contratação imediata dos professores aprovados no último concurso público, a reestruturação dos laboratórios de Informática e de Análise Experimental do Comportamento, além da ampliação do quadro docente. Com o objetivo de denunciar a atual situação do curso e convocar a comunidade acadêmica a mobilizar-se em defesa da educação pública, estudantes fizeram uma manifestação no pórtico da Uefs, na manhã de segunda-feira (9). 

As dificuldades acontecem não somente em Psicologia. Medicina funciona sem ambulatório e Hospital Universitário para estágio dos alunos, que também se queixam da insuficiência de professores e da falta de materiais para as aulas práticas. “Como não temos uma estrutura do curso, estagiamos em hospitais públicos da cidade. O tempo de duração do estágio é reduzido nesses locais porque eles não foram preparados para receber os estudantes”, acrescenta Yago Santana, discente do quarto ano de Medicina.

Sem sala de aula
A professora Marilene Rocha, lotada no Departamento de Biologia (DCBIO), queixa-se da ausência de sala para a execução das aulas. Este semestre, em função da falta de espaço físico para lecionar um dos componentes, a docente iniciará as atividades em uma das turmas um mês após a retomada do semestre na Uefs.

“Terei de transmitir o conteúdo de forma acelerada, o que traz um grande prejuízo ao aprendizado dos alunos. Fiz várias cobranças à Divisão de Assuntos Acadêmicos (DAA), mas a situação demorou de ser regularizada”, relata a professora.

Marilene Rocha ainda denunciou a precariedade dos laboratórios e equipamentos. “A centrífuga de bancada de um dos laboratórios está quebrada há oito anos. Microscópios possuem lentes que, por conta da má qualidade, dificultam a visualização dos objetos. O ar-condicionado do Laboratório de Peças Anatômicas não funciona. Docentes e alunos têm se esforçado muito para desenvolver as atividades”, pondera.

Segundo a DAA, faltam salas porque existe a concentração de aulas em dias e horários específicos. Atualmente, em determinados horários, não há salas disponíveis para 25 disciplinas. Ainda conforme a Divisão de Assuntos Acadêmicos, durante o processo de alocação das disciplinas é garantida prioridade às turmas do primeiro semestre e às disciplinas com horários fixos.

Concurso público
Encontra-se em andamento, o concurso público para a contratação de 63 professores na Uefs. Outras 52 vagas devem contemplar o quadro dos técnico-administrativos. Para este caso, o edital ainda não foi divulgado. Os convocados substituirão as vagas geradas pelas exonerações, aposentadorias e falecimentos dos servidores, no período de janeiro de 2015 até então.

É importante lembrar que a seleção pública, autorizado nas quatro Universidades Estaduais da Bahia (Ueba) só ocorreu por conta da intensa cobrança do Fórum das ADs.O quantitativo de vagas aprovadas para a Uefs ainda não corresponde ao ideal, mas representa uma importante conquista do Movimento Docente (MD) das Ueba.

Estrangulamento orçamentário
A responsabilidade pelo sucateamento das condições de trabalho e estudo nas universidades é do governo estadual, que anualmente contingencia os recursos destinados para custeio e investimento. Desde 2013, as quatro instituições deixaram de receber mais de 200 milhões da verba.

Em se tratando da Uefs, o governo Rui Costa não repassou à universidade a totalidade do valor previsto na cota orçamentária para os meses de janeiro, fevereiro e março, referente a algumas despesas de manutenção e ações do Plano Plurianual (PPA). Considerado o primeiro triênio do ano, a instituição deixou de receber, para a rubrica, R$ 4.882.000,00. A administração da Uefs estima que, caso o governo estadual mantenha a restrição ao orçamento, a instituição deixará de receber, ao final deste ano, R$ 18 milhões.

Com o objetivo de intensificar a luta em defesa das Ueba, o Fórum das ADs encaminhou às assembleias a proposta de paralisação das atividades acadêmicas em 25 de abril. Neste dia, será realizado um grande ato público em Salvador, para forçar o governo a convocar reuniões de negociação com a categoria e discutir a pauta 2018, protocolada em dezembro do ano passado. Durante o protesto, os professores ainda denunciarão o arrocho salarial, o maior dos últimos 20 anos. Na Uefs, a assembleia ocorrerá nesta quarta (11), às 16h30, no Auditório V, Módulo VII.

A diretoria da Adufs convoca os professores a se fazerem presentes à assembleia desta quarta (11). É importante que todos participem deste espaço de discussão e construção da luta do Movimento Docente (MD), a fim de que a categoria ganhe ainda mais força para tentar reverter os ataques impostos pelo governo da Bahia. Ataques esses que avançam anualmente, através da retirada de direitos garantidos por lei e da redução no orçamento das universidades.  


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