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Para professor da Uefs, PT chega ao poder distante do discurso classista que lhe deu origem

14-11-2017 às 16h37

Ascom/Adufs

As mudanças ocorridas nos grupos dirigentes do Partido dos Trabalhadores (PT) de 1979 até 1998 foram abordadas pelo professor Eurelino Coelho durante o terceiro Ciclo de Debates, organizado pelo Grupo de Trabalho e Política de Formação Sindical (GTPFS) da Adufs. Em sua fala, o docente explicou que tais transformações deram uma nova configuração ao projeto político dos petistas. A atividade aconteceu na última quinta (9).

Conforme o professor, o PT surgiu como um partido de base popular, em um contexto de grandes lutas sociais e populares, marcado por greves e pela efervescência do movimento sindical, principalmente em 1978 e 1979. “O final da década de 70 e a década de 80 foram ricos em lutas que colocaram em pauta o protagonismo dos setores subalternos. O PT assumiu o papel de catalisador dessas bandeiras. Ele deu face política às lutas que seriam pulverizadas. Esse processo fez com o que os diferentes segmentos se sentissem representados. Na década de 80, o Partido se configurou como a base de um projeto para todos”, contextualizou, acrescentando que o discurso classista fundamentou o surgimento do PT.

No entanto, Eurelino Coelho analisou que o Partido dos Trabalhadores experimentou um processo histórico de mudança que incidiu sobre a prática dos seus dirigentes e sobre a sua relação com a luta de classes. A essa mudança, o professor deu o nome de transformismo, conceito utilizado pelo filósofo marxista Antônio Gramsci para interpretar as transformações acontecidas nas práticas políticas de partidos de esquerda italianos que se transformaram em defensores do capitalismo.

“Gramsci chama de transformismo a adaptação dos grupos de esquerda às classes sociais as quais combatiam. A primeira característica do transformismo é que a esquerda rompe seus vínculos orgânicos com as classes sociais que lhe deram origem e torna-se gestor das classes que estão no poder. A segunda, é que a direita continua no poder, só que mais vasta e capilarizada porque incorpora em seu quadro membros que antes pertenciam aos grupos da esquerda. E foi isso que aconteceu com o PT. O Encontro Nacional do Partido nos anos 80 era construído por trabalhadores, porém, nos anos 90, por assessores e burocratas. Houve mudanças no plano moral, intelectual e material daqueles que participaram da fundação do PT. Por isso, o partido que chegou ao poder em 2003, com a posse de Lula à presidência da República, era diferente daquele do final da década de 70 e início dos anos 80”, analisou Eurelino Coelho.

A temática abordada no Ciclo de Debates organizado pelo GTPFS da Adufs faz parte da tese apresentada por Eurelino Coelho na Universidade Federal Fluminense (UFF) como requisito para a obtenção do grau de doutor em História. O título da tese é “Uma esquerda para o capital. O transformismo dos grupos dirigentes do PT (1979-1998)”.

O Ciclo de Debates conta com o apoio da diretoria da Adufs. O tema central desta terceira edição é "13 anos do Partido dos Trabalhadores (PT) no poder, golpe e perspectivas para a classe trabalhadora brasileira”. A primeira etapa foi sobre “Os 100 anos da Revolução Russa” e, a segunda, abordou o Movimento Escola sem Partido.


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