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NEXO JORNAL

Como as posições de Rui Costa destoam do discurso petista

19-06-2019

Quem é Rui Costa Nascido em Salvador, Rui foi um dos fundadores do PT na Bahia, nos anos 1980. Trabalhou no setor petroquímico, participou do movimento sindical e integrou a direção de sindicatos de químicos e petroleiros, a nível estadual e nacional. Disputou a primeira eleição em 2000 e se elegeu vereador em Salvador. Quatro anos mais tarde, obteve mais um mandato.

Em 2007, se tornou secretário estadual no governo de Jaques Wagner (2007-2014). Ficou no cargo até 2010, quando conseguiu uma vaga na Câmara dos Deputados. Dois anos depois, voltou a fazer parte do governo baiano, como secretário da Casa Civil, principal pasta estadual. Wagner então apoiou Rui para sucedê-lo como governador da Bahia.

O resultado foi o seguinte: eleito governador em 2014 no primeiro turno, com 54,5% dos votos reeleito governador em 2018 no primeiro turno, com 75,5% dos votos Aos 56 anos, Rui tem bons índices de aprovação: cerca de 50% dos baianos consideram o governo dele “ótimo” ou “bom”, segundo levantamento de fevereiro de 2019 do Instituto Paraná Pesquisas, já no segundo mandato. A rejeição fica por volta de 19% — aí entram os que avaliam o governador como “ruim” ou “péssimo”. Em comparação com parlamentares e políticos sem mandato, as posições públicas de governadores e prefeitos costumam ser mais moderadas, a fim de não criarem problemas na base aliada e por dependerem de repasses de recursos.

No caso de Rui, ele contraria algumas posições do próprio partido e defende algumas pautas tradicionalmente associadas à direita.

Os sinais de Rui AUSTERIDADE FISCAL

Rui defende a reforma da Previdência que está tramitando no Congresso, com menos ressalvas ao texto do que líderes do PT, que em geral criticam o proposta inteira. É uma posição diferente, por exemplo, do ex-prefeito de São Paulo e candidato presidencial do PT em 2018 Fernando Haddad, que faz críticas mais amplas à reforma do governo de Jair Bolsonaro.

O governador adota um discurso de corte de gastos públicos e austeridade se necessário. Em dezembro de 2018, após ser reeleito, Rui impulsionou e aprovou na Assembleia o aumento da contribuição previdenciária de servidores estaduais. UNIVERSIDADES PÚBLICAS Em entrevista coletiva à imprensa na segunda-feira (20) em Salvador, Rui disse: “uma família que pagou educação privada a vida inteira não tem condições de contribuir com a universidade? Qual o problema disso?”.

A menção a mensalidades em universidades públicas lhe rendeu críticas de diversas frentes, como a juventude nacional do PT, aliados no PT baiano e sindicatos de docentes. Rui ordenou o congelamento de recursos públicos às quatro universidades estaduais da Bahia, sob o argumento de responsabilidade fiscal, política similar à do governo federal. Professores dessas instituições estão em greve desde abril de 2019. Segundo o governador, as universidades precisam de fontes adicionais de receita e mensalidades dos mais ricos pode ser uma das alternativas. OPOSIÇÃO APAZIGUADA Segundo Rui, o desgaste e as dificuldades políticas do governo federal não são do interesse de ninguém, nem da oposição.

Ele já criticou o boicote da bancada parlamentar do PT à cerimônia de posse de Bolsonaro, em 1º de janeiro de 2019.

PACOTE ANTICRIME

Em fevereiro de 2019, o ministro da Justiça, Sergio Moro, divulgou o teor do seu Projeto de Lei Anticrime, que altera diversos pontos da legislação brasileira e, em linhas gerais, endurece penas e dá mais poder a policiais. Ao contrário da posição do PT e de políticos à esquerda, Rui declarou apoio ao pacote. O texto ainda não começou a tramitar no Congresso. 

SEGURANÇA PÚBLICA

O governo Rui foi o primeiro no país a instituir um sistema de reconhecimento facial na segurança pública, o que já resultou em dezenas de prisões no estado em 2019 e é um método criticado por muitos especialistas. Próximo da Polícia Militar, o governador já afirmou que muitos agentes “cruzam os braços” por temor de sofrerem processos judiciais, e portanto é necessário dar mais garantias legais aos policiais para melhorar a segurança pública no Brasil.

Além disso, em 2015, após uma ação da Polícia Militar que matou 12 pessoas em Salvador, com indícios de execução sumária, Rui minimizou as mortes por policiais: “é como um artilheiro em frente ao gol que tenta decidir, em alguns segundos, como é que ele vai botar a bola dentro do gol”.

INICIATIVA PRIVADA

Rui é um defensor de atração de recursos privados para áreas como a educação pública superior, a concessão de grandes obras e a Embasa, empresa estatal baiana de água e saneamento.

POSIÇÃO SOBRE IMPEACHMENTS

Na entrevista de segunda (20), Rui disse que não vai “rasgar” a eleição de 2018 e é contra a ideia de impeachment contra Bolsonaro, ideia que aparece mais no entorno do presidente do que na oposição. Além disso, o governador baiano, ao contrário de outros petistas de destaque nacional, evita dizer que o impeachment de Dilma Rousseff em 2016 foi um “golpe” e já afirmou que o PT precisa deixar esse episódio para trás.

HEGEMONIA DO PT

Em 2018, Rui defendeu que o PT poderia apoiar um candidato de outro partido na disputa presidencial, com o empecilho legal do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso em abril de 2018 e impedido de disputar a eleição, com base na Lei da Ficha Limpa. Essa foi uma posição minoritária dentro do partido, também defendida por Jaques Wagner.

O PT é apontado por outros partidos à esquerda e ao centro como uma sigla que não aceita abrir mão do protagonismo em alianças políticas. As posições dissonantes de Rui não o impedem de estar alinhado ao partido em diversos temas, como a inocência de Lula, a defesa dos avanços sociais nos 13 anos de governo federal petista e a crítica ao decreto de Bolsonaro que facilitou o porte de armas no Brasil.

Após o partido passar por uma profunda crise, do mensalão à Lava Jato, o governador defende que o PT retome contato com suas bases políticas históricas. Rui, Wagner e o PT Rui permanece aliado próximo de Wagner, que foi ministro tanto de Lula como de Dilma.

Visto como “pacificador” e hábil negociador político, Wagner foi chamado para posições de destaque dos governos federais do PT em momentos difíceis: logo após o escândalo do mensalão, em 2005, e na grande crise política após a reeleição de Dilma, em 2015. Wagner foi cotado para ser o candidato presidencial do PT com o impedimento de Lula, mas publicamente sempre negou a vontade de ocupar o posto. Em várias ocasiões, Wagner não se alinhou a posições majoritárias do PT.

Apesar das divergências, ele e Rui fazem elogios e reconhecem a importância de Lula, que, mesmo preso, segue como maior líder petista e a voz mais poderosa internamente para definir os rumos do partido. Segundo Rui, a história da Bahia se divide em “antes e depois de Lula”. O governador foi visitá-lo na cadeia em Curitiba logo nos primeiros dias após a prisão e compareceu ao funeral de Arthur, neto de Lula morto aos 7 anos, em março de 2019.

O contexto do PT O PT governou o Brasil durante 13 anos, primeiro por dois mandatos de Lula, que esteve à frente do governo num período de crescimento econômico, ampliou políticas sociais e almejou maior relevância internacional para o Brasil. Lula deixou o governo em 2010 com aprovação recorde e elegendo sua sucessora, Dilma.

Mesmo com sinais negativos da economia a partir de 2014, a petista conseguiu se reeleger com um discurso de que não seria necessário realizar um ajuste fiscal. Mas a prática foi diferente. No segundo mandato, ela tentou implementar medidas de austeridade, viu a inflação crescer e sua base aliada se diluir no Congresso. Com o impeachment por manobras fiscais em 2016 e a chegada ao poder de Michel Temer, do MDB, o PT voltou para a oposição.

Partidos à direita ganharam espaço e começaram a ditar os programas e propostas do governo federal — como uma política econômica liberal e uma visão linha-dura na segurança pública. Na eleição municipal de 2016 o PT sofreu sua maior derrota. Dois anos depois, nas eleições gerais, o partido conseguiu chegar ao segundo turno com Fernando Haddad.

Lula já cumpria a pena de prisão no caso do apartamento tríplex. Jair Bolsonaro venceu a eleição utilizando o antipetismo como uma das bases do seu discurso político. Como presidente, ele continua declarando antagonismo ao PT, uma das estratégias para mobilizar sua base de apoio. Na oposição ao governo federal de Bolsonaro, o PT administra hoje quatro estados: Bahia, Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte.

Fonte: NEXO JORNAL.

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